viagem de volta ao Android

Faaaaaaaaala galera!

Vinha há algum tempo dividido entre duas questões:

Facilidades dadas pela Apple e restrições impostas por ela.

Meu iPhone 6 de 16 GB já não me atendia, além do que precisava de um dispositivo Android, pois esse ano, vou me dedicar a programar para essa plataforma.

Por outro lado, havia uma certa preguiça de encarar certos desafios que talvez a plataforma me trouxesse.

até que, numa oportunidade, um camarada queria adquirir meu iPhone e me dar um Galaxy j7 como parte do pagamento e aí resolvi encarar o desafio.

Até porque, assim, poderia ter uma ideia maior, com um Android como telefone principal.

Sei que muitos podem ter um iPhone antigo que não atenda mais às suas necessidades e, pela crise atual ou por outros motivos, não tenham grana para investir num novo iPhone, até porque os preços no Brasil estão ficando impraticáveis.

Ou, de repente, querem testar algo novo.

Mas, algumas das perguntas desses usuários podem ser:

  • Quais dificuldades vou ter?
  • Vou sentir falta do Iphone?
  • Quais as dificuldades de acessibilidade do Android hoje?

Tudo isso eu vou tentar te responder ao longo do artigo.

Tirei o telefone da caixa e a primeira coisa que fiz foi,… dormir. Afinal o cara me entregou o celular uma da manhã e eu já tava cheio de sono. Além disso, acordaria cedo pra trabalhar no dia seguinte.

após o suspense, vou começar a contar o que eu fiz depois de acordar, sem os detalhes de higiene pessoal que não interessam para o artigo. Kkkkk.

Liguei o celular, coloquei os dois dedos na tela com um pouco de distância e o Talkback já começou a falar, com algumas instruções para terminar a ativação. Basicamente seria manter o dedo por um tempo até ouvir um som.

O legal é que ele já abriu na tela um tutorial do Talkback com vários passos, onde em cada um desses havia uma instrução e um exercício. Ao fazer o exercício corretamente ele te passaria para o próximo passo.

Achei isso legal, porque você passa para as configurações do telefone já sabendo como interagir com o leitor de telas. No entanto, achei que faltou uma opção intuitiva, ou até mesmo instrução para pular o tutorial, para quem já conhecia o talkback.

A próxima tela, já foi a das configurações de acessibilidade, onde você já pode deixar as coisas do seu jeito para posterior configuração do telefone.

Nos dispositivos Samsung, com o Talkback ativo, o padrão de interação com o teclado é achar a tecla e dar dois toques para digitar, semelhante ao do iOS, mas você pode mudar para o modo onde localiza a letra e tira o dedo para digitar, semelhante à digitação profissional do IOS.

O teclado da Samsung, assim como o teclado da Google, que é padrão no Android, tem poucas diferenças com relação ao teclado do IOS.

O da Samsung, na verdade, não lembro tanto, porque só utilizei ele para configurar o telefone e em seguida instalei o teclado da Google. Explicarei mais adiante o motivo.

Uma das coisas que gostei em ambos os teclados é que a linha de números está logo acima da linha do q, assim como nos PCS. Para mim que, normalmente uso senhas com letras e números, ficou bem mais prático.

O ponto final, que no teclado do IOS fica à esquerda da primeira fileira de letras de baixo para cima e, mesmo assim, só aparece se digitarmos a tecla que alterna para o teclado numérico, que fica bem no canto inferior esquerdo, normalmente fica à direita da barra de espaço nos teclados Android.

No teclado Google, a tecla de digitação por voz fica no canto superior direito do teclado e não no inferior esquerdo, como no IOS.

Mas, fora essas diferenças, os teclados se assemelham.

Configurei meu telefone, fui na Play Store para atualizar meu Talkback e fiquei usando meu dispositivo normalmente. Usei o WhatsApp, Facebook, Inbox, sem sentir qualquer falta do iPhone.

Até a voz Luciana do iPhone está lá, no Samsung TTS. Tudo bem que com alguns erros de pronúncia, mas… Você pode baixar a voz masculina também, que é, nada mais nada menos que a voz Felipe que você deve estar acostumado.

e esse aparelho também veio com o Google TTS Instalado, que é a voz que particularmente eu prefiro.

Nesse dia, precisei pedir um Uber e também não tive dificuldades.

Mas agora, antes de prosseguir, vou explicar, conforme prometido, porque instalei o teclado da Google e não fiquei utilizando o padrão da Samsung.

Quando estamos, ou com o Talkback ou, no caso dos dispositivos de gama alta da Samsung, o Voice Assistant ativos, o teclado da Samsung inibe a possibilidade de utilizarmos correção ortográfica, substituição automática de texto e também a sugestão de palavras.

segundo à referida fabricante, isso foi um pedido dos usuários cegos.

Como estes são recursos essenciais para mim, instalei o GBoard, que é o teclado da Google.

 

além disso, a nova versão desse teclado virá com botão de pesquisa no próprio teclado, sugestão de GIFS e também tradução automática.

além disso, o soft braille Keyboard, que é a alternativa mais completa para digitação Braille no Android, para te dar as sugestões de palavras, correções ortográficas e tal, usa o dicionário do teclado da Google.

baixe o teclado da Google aqui.

Então, se você não gosta de correção ortográfica, não pretende usar os recursos que eu falei e muito menos o Soft Braille Keyboard, pode ficar com o teclado da Samsung mesmo. Isso se tiver adquirido um Samsung, é claro.

Falamos de tudo que eu usava antigamente e migrei de plataforma. até então, sem dificuldades.

Agora, vou falar de coisas que eu não podia usar mas agora posso, pois a plataforma mudou.

Rádio FM.

O iPhone não tinha, mas agora eu tenho!

No começo, passei apuro porque o rádio dava umas travadas federais com o Talkback e eu não conseguia achar os controles nem por decreto.

Até que, passados alguns dias, resolvi experimentar, nas configurações do Talkback, desmarcar a opção da prioridade de fala e aí funcionou tudo lindamente.

Vamos ao WhatsApp agora.

Logo percebi que responder, copiar e encaminhar mensagens com o Talkback funciona de forma mais estável do que ao usar o VoiceOver no iPhone.

Se você der dois toques e segurar a mensagem, tais opções aparecem na parte superior da tela e sem falhas, como acontece no IOS.

Além do que, quando se trata de multimídia, o botão encaminhar já aparece logo depois da mensagem.

Agora, quando precisamos encaminhar fotos, tem um pequeno problema.

a lista de conversas e contatos é bem acessível, mas, se nessa lista passarmos por um grupo com muitos membros, o delay até ele te falar o nome do grupo é absurdo.

Só esse inconveniente.

Navegar no Chrome também não é problemático. Inclusive alterar a granularidade de leitura e navegação é muito fácil. Varrer o dedo de cima para baixo e de baixo para cima, em qualquer tela, faz isso.

Para ativar ou desativar o talkback é só Apertar, simultaneamente, os botões de aumentar e diminuir volume. O que eles não te dizem é que é bom segurá-los por um tempinho. Então, se não funcionar com você, já sabe.

Depois de todos esses testes, recebi uma ligação.

Ué…. O Talkback não falou quem tá me ligando!

só falou quando eu coloquei o dedo na tela onde estava a informação. chiii.

Como fico grande parte do tempo com o telefone no bolso e uso o fone… E agora?

Para resolver este inconveniente, Instalei um aplicativo chamado whoiscalling.

Download do Whoiscalling

A configuração dele é intuitiva e podemos escolher o que será dito, de quanto em quanto tempo e quantas vezes o nome ou número de quem chama será repetido.

Além disso, dá pra escolher o sintetizador, volume, velocidade e o canal de áudio.

aqui eu escolhi o canal de notificação e funcionou. No entanto, isso pode variar de aparelho para aparelho.

câmera.

A câmera da Samsung também fala quando um rosto é detectado e a sua posição na tela.

Mas agora, mesmo o aplicativo padrão de câmera do Android, a partir da versão 7.1 também tem esse recurso.

Ou seja: se não gosta de Samsung, comprar qualquer aparelho que tenha o Android 7.0, ou atualização para ele e que tenha um Android mais limpo, sem grandes modificações, te dará o recurso.

E finalmente, vou falar do soft Braille Keyboard, que é o teclado para digitação Braille no Android.

Baixe o Soft Braille Keyboard aqui.

Não vou adentrar na forma que ele funciona, pois o Marlon já fez isso brilhantemente no podcast onde demonstrou as formas de digitação no iPhone.

BlindTec 04 – Escrevendo de forma eficiente no Iphone

Claro que alguns gestos vão mudar, mas a forma de calibrar e de segurar o aparelho são as mesmas.

O soft Braille é um teclado que tem voz própria e por isso, precisará, até pelos toques na tela com vários dedos, que o talkback seja desativado para funcionar corretamente.

Felizmente, como já expliquei, ficou bem simples ativar ou desativar o TalkBack com o atalho dos dois botões de volume pressionados em simultâneo.

André, então você tá dizendo que o soft Braille Keyboard é igual ao teclado de digitação Braille do iPhone?

Não. O Soft Braille Keyboard é muito, mas muito superior.

Ele te dá acesso aos erros ortográficos, te permite navegar pelo texto enquanto está digitando, selecionar texto, copiar, recortar e colar.

Se achar pouco, ele também te dá acesso ao ditado por voz, gestos para alternar rapidamente de idioma para sugestão de palavras e correções ortográficas, tem a tabela braille mais atualizada e fazer o é  com acento agudo é muito mais simples, pois basta fazer o q e em seguida tocar apenas no ponto 6.

além de ter todos os recursos que a digitação Braille do iOS já te oferece.

Agora, vem a cereja do bolo do soft Braille Keyboard:

diferentemente do iOS, alguns aplicativos de mensagem como o WhatsApp tem uma opção que, se estiver habilitada, permite o envio de mensagens ao teclar enter.

Assim sendo, com isso habilitado, fazer o gesto de mudança de linha do Soft Braille Keyboard, que é arrastar o ponto 4 para baixo, envia mensagem.

Digitar, girar rotor, procurar o botão de enviar… Isso já não te pertence.

Um review completo do referido teclado é impossível porque ele tem muitos recursos. Mas, demonstrações básicas você já consegue encontrar na web.

Quem sabe não aparece um aqui na Blindtec?

então era isso.

O J7 da Samsung hoje é encontrado nas grandes lojas online com preço aproximado de R$900,00.

com cerca de R1200,00, você compra o J7 Prime, com um pouco mais de recursos, espaço de armazenamento e processador melhor.

Nas mesmas faixas de preço, temos aí Moto G 4, Moto G 4 Plus e são celulares que permitem a utilização por parte de uma pessoa cega sem grandes sofrimentos, malabarismos ou instalação de trocentos aplicativos para torná-los acessíveis.

Vale destacar que hoje, com Android, ganhei maior possibilidade de gerenciar o espaço ocupado do meu telefone, além de viver uma realidade a qual não conhecia mais: minha bateria durar o dia inteiro.

Pode ser que, dependendo das necessidades de utilização do dispositivo, algumas pessoas possam encontrar obstáculos. Mas para o uso mais comum de um Smartphone e também para o meu uso, o Android está atendendo as expectativas. Aliás, para o meu uso, quem já não estava mais atendendo era o IOS.

Esqueça zenphone.

é muito tentador pensar em comprar um Zenphone 3, ou até mesmo o 2, por conta da capacidade de armazenamento, processador e parece um bom custo benefício.

até é, pra quem enxerga.

Mas as alterações que a Asus faz no Android o tornam inacessível, então fuja disso.

A Samsung também altera o Android, mas, por incrível que pareça, é para dar recursos extras de acessibilidade, como a possibilidade, nos dispositivos de gama mais baixa, de atender ligação pelo botão home.

E pra finalizar, te deixo algumas dicas, caso queira ou precise migrar para o Android:

  1. Se você comprou um telefone pela Internet, em loja online, o código de defesa do consumidor te dá 7 dias, a partir da data de entrega, para desistir da compra. Chegou em casa, viu que o celular não te atendeu, acione o SAC da loja onde fez a compra e eles são obrigados a pegar o produto de volta e te ressarcir.
  2. Se possível, veja algum amigo que tenha o aparelho que está a fim de comprar e, se não for um dos quais já se comenta que é acessível, pede pra ele te deixar testar.
  3. Pode ser interessante ir a uma loja física, caso não encontre ninguém, explicar a situação e ver com o vendedor a possibilidade de deixar você testar o aparelho antes de decidir pela compra..

então é isso.

Em breve eu volto com mais reviews do Android, de aplicativos e o primeiro que pretendo mostrar é o Feedme, leitor de RSS com tantos recursos quanto o Lire, porém se conecta a mais serviços.

abraços e até.

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2 comentários

  • André, excelentes observações!
    Realmente nos dias atuais já podemos classificar Android e iOS como opções plenamente viáveis disponíveis no mercado para compra por parte de uma pessoa cega.
    Depois de usar Android por alguns anos, migrar para o iPhone e usá-lo por um ano e meio e estar com Android de novo na mão, posso dizer isso com propriedade.
    Adoro usar o SBK, o FeedMe, o Nova Launcher (aplicativo que controla telas iniciais e oferece recursos adicionais), O macrodroid e afins. Além do Foldersync, para sincronizar as pastas do dispositivo com a nuvem e vice-versa. Enfim, diversas coisas que não são práticas no iOS e que hoje eu desfruto no ANdroid..
    Para mim hoje Android e iOS estão praticamente em pé de igualdade quando se fala de acessibilidade, se você souber escolher o aparelho, é claro. O que se resume a saber que se comprar, Motorola, Samsung ou Lg estará bem servido.

  • Pingback: Viajei pelo Android com talkback. E agora? - BlindTec

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