Viajei pelo Android com talkback. E agora?

Fala galera! Aqui é o Sérgio Faria e estou escrevendo para lhes contar as minhas impressões com o Android.
Movido pelo desafio de ter o celular que eu bem quisesse, visto que, até então, eu só me limitava ao iPhone, estimulado pelo artigo do nosso amigo André CariocaViagem de Volta ao Android” e, é claro, pela oportunidade de gastar menos, eu comprei um Samsung Galaxy A5. Não vou entrar aqui no mérito das características técnicas do aparelho, pois, isso é facilmente encontrado na Internet. Digo apenas que ele é superior ao J7.
Foi muito fácil mesmo habilitar o Talkback, mas, logo em seguida eu comecei a me deparar com as diferenças, ou dificuldades.
A primeira delas ficou por conta dos tais gestos em “L” do Talkback. Nem sempre você faz o movimento e o resultado ocorre como desejado. Exemplo: movimento em “L” a direita e para baixo, abre a aba de notificações. Demorei um certo tempo para me acostumar, pois, você deve se atentar a velocidade do gesto e o tempo de parada ao final do mesmo para que o aparelho possa entender o movimento e executar a ação. Isso, eu confesso, me incomodou bastante, pois, no meu Iphone 5S que, nem é o modelo mais veloz, eu faço os gestos muito rápido e nunca falha, isto é, a ação sempre ocorre como o esperado.
A segunda coisa que eu observei é que, no Whatsapp, aba conversas, quando se faz a varredura da lista para ver as mensagens, o Talkback anuncia o nome do remetente, o horário de envio da mensagem e a última mensagem, até aí beleza. O problema é que se você continuar varrendo, ouvirá novamente o nome do remetente + a palavra botão, e perceberá que há dois ícones para cada remetente. Entretanto, para ler as mensagens você deve dar dois toques no primeiro, pois, o segundo mostra apenas foto do contato, opções de contato, etc. Isso também me causou certo desconforto porque minha lista de remetentes ficou duplicada, visto que, cada nome aparece duas vezes.
Um outro ponto que também achei muito relevante é que, quando recebo mensagens longas no Whatsapp, em algum momento o Talkback me diz: “clique aqui para ler mais” e interrompe a mensagem. Daí é preciso varrer mensagem até encontrar esse tal de “clique aqui para ler mais”, desligar o taokback, clicar e, aí sim, retomar o leitor novamente.
Importante: estou repassando essa dica conforme alguns amigos me relataram, eu, na verdade, ainda não consegui fazer isso.
Outra coisa desconfortável foi a utilização do teclado braile (Soft Braille Keyboard). Se, no Iphone precisamos ficar usando o rotor para encontrar o Modo Braille, no Android é preciso:
◾ Desligar o talkback;
◾ Escrever o texto usando o Soft Braille Keyboard;
◾ Fechar o teclado Soft Braille Keyboard; e
◾ Acionar novamente o Talkback.
Particularmente, ainda prefiro simplesmente usar o rotor para achar o teclado Braille. No meu caso ainda há um agravante, toda vez que minha esposa pega meu celular para mandar alguma mensagem, eu tenho que desligar o Soft Braille keyboard para que ela possa utilizar.
Eu poderia citar mais alguns vários pontos que me geraram desconforto em relação ao uso do Android em parceria com o Talkback, como a falta de precisão dos toques, visto que, muitas vezes dou dois toques e a ação nem sempre ocorre, mas, temo por me alongar demais. Dessa forma, vou citar apenas mais um ponto que, para mim, foi crucial.
Depois de um tempo mexendo, testando APP’s, eu comecei a pensar em fechar os aplicativos, pois, deviam haver vários carregados na memória. Sabe como é, coisa de programador velho. Aí O Carióca, que me ajudou muito nessa empreitada, me disse que haviam duas teclas capacitivas: tecla voltar e tecla aplicativos recentes. Para aqueles que como eu não sabem o que é um botão capacitivo, aí vai: é uma tecla, ou botão, que não é mostrado na tela, além disso, eles são posicionais, isto é, você sabe que eles estão em determinada posição na tela, ainda que não sejam mostrados para quem está vendo e o Talkback não fala exatamente onde estão. Eu fiquei quase louco com isso” O Talkback falava aplicativos recentes; eu clicava e… nada! Aí aprendi, não importa quando o Talkback fala Aplicativos Recentes; simplesmente posicione o seu dedo a esquerda do botão iniciar, na metade da distância entre o botão iniciar e a borda esquerda e dê dois toques. Eureca!!! A Abençoada tela dos aplicativos carregados na memória aparece. Nesse ponto há botão fechar todos, o que é interessante e não tem no Iphone. Porém, uma coisa é estranha” Você fecha um determinado aplicativo, mas, a ação do aplicativo não acaba. Exemplo: estou escutando um podcast; suponha que eu cheguei em algum lugar e quero encerrar rapidamente o Podcast; no Iphone eu clico duas vezes no botão iniciar; posiciono no aplicativo de podcast que está sendo mostrado na lista; deslizo para baixo e clico em fechar; pronto, eu imediatamente paro de escutar o podcast. Já no Android não; eu clico em aplicativos recentes, encontro o aplicativo de Podcast; clico em fechar, mas, o episódio que estava ouvindo não é interrompido; se eu quiser que pare tenho que ir no APP de Podcast e encerrar a reprodução lá mesmo.
Finalizando, para aqueles que, como eu utilizam o celular para tudo, isto é, ler, estudar, fornecer suas métricas na academia, aí vai encontrar a barreira definitiva.
Instalei meu APP de corrida (Polar Beat) e fui emparelhar meus acessórios. O medidor de batimentos cardíacos OK. Humm! Onde está o Pedômetro? Para quem não sabe, o Pedômetro é um pequeno sensor que fica preso ao cadarço do tênis e que fornece a velocidade e distância percorrida. Pensei… Não é possível! Eu devo ser muito fraquinho mesmo, não consigo nem saber onde configura o Pedômetro. Inconformado, liguei para a assistência técnica da Polar e eles me informaram que essa era uma limitação da plataforma android que só permitia um acessório via bluetooth. Mas, óbvio, eu não acreditei… Instalei o Nick Run, que é outro software similar. E… Pasmem… A limitação é a mesma, isto é, só é possível configurar e emparelhar o medidor de batimentos cardíacos. Bem, nesse momento eu resolvi ficar mesmo com o Iphone.
E agora: Iphone + IOS + Voice Over, ou Celulares Androide + Talkback. Minha conclusão é: depende do nível de exigência e do nível de utilização de cada um.
Conforme prometido é “Blindtec in off”, outra hora eu volto falando sobre softwares de fitness.

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5 comentários

  • Daniel Damacena

    Tenho que discordar a respeito do sbk. No canto inferior direito tem um botão que troca o teclado, basta ativar ele e tocar no teclado samsung.
    Suspender e retomar o Talkback é bem mais rápido do que ficar girando a roda gigante que é o rotor, basta usar os botões de volume para isso.
    Sobre os gestos: temos que nos habituar ao modo de execução dos gestos em cada plataforma. Não adianta dar socos na parede querendo executar os gestos como se fosse um iPhone, não vai rolar.
    O problema do Whatsapp é bem simples: percorra a lista de contatos usando a exploração tátil em vez de ir varrendo. No iOS é bem mais cômodo ir simplesmente varrendo, mas isso acaba se tornando um vício, que você precisa largar no Android.
    Em relação a fazer o gesto de dois toques e o aparelho não responder: isso varia de entre aparelhos. No meu Moto Z Play isso não acontece de forma alguma, igualmente para o LG G4, Galaxy S7 e Galaxy j5, que são os aparelhos que tenho oportunidade de testar em casa.
    Sobre o lance dos aparelhos ligados a esportes eu já não posso opinar, pois não tenho nenhum.

    • Daniel,

      Seus pontos são extremamente válidos.

      Apenas se lembre de que tanto o Carioca quanto o Sérgio estão dizendo as razões que, para eles, explicam o uso de uma plataforma ou outra.

      A questão aqui não é dar socos em paredes. Ao contrário, estamos discutindo o que preferimos em uma ou em outra plataforma. Desligar o leitor de telas, por exemplo, não é uma solução elegante, por mais que girar o rotor também não seja a solução ideal.

      Minha opinião pessoal é que embora o TalkBack esteja evoluindo ainda há muito o que percorrer. Por exemplo, ter uma interface onde seja possível navegar consistentemente entre componentes sem achar sua posição na tela para quem não vê sua posição na tela por ser cego é bem aceitável. Prefiro acreditar que não existam vícios a serem largados e sim que existam preferências a serem usadas em detrimento de outras e que quanto mais completo e maduro for um leitor de telas mais opções serão apresentadas aos seus usuários.

      Na plataforma Apple há a opção de varrer ou explorar. Eu exploro, mas gosto de saber que para pessoas mais idosas, pessoas que acabaram de ficar cegas, pessoas que além da cegueira apresentam problemas de dexteridade ou pessoas que não enxergam e estão usando um app que nunca mais irão usar na vida e só querem chegar rapidamente a algum botão sem saber onde fica uma coisa ou outra a opção de varrer esteja funcionando de maneira consistente.
      Não é, de forma lamentável, possível dizer o mesmo sobre o TalkBack, onde a opção de varrer não funciona consistentemente bem. E a Google tem recursos para fazer com que funcione bem. Se esta opção não fosse parte do leitor, ela simplesmente não existiria. Mas ela existe e não funciona bem, privando parte dos usuários de uma maneira de navegação que alguns talvez prefiram e que o leitor disponibiliza em teoria para eles.

  • quanto ao aplicativo de Podcasts não parar à reprodução ao ser fechado, ocorre porque para isso ele utiliza o player padrão do dispositivo.
    No entanto, o mesmo coloca um wydget na tela de bloqueio e também na aba de notificações com os botões play pausa, avançar, retroceder, parar…
    quanto à inconsistência no movimento de varrer, nunca experimentei.
    Embora também prefira a exploração por toque, uso essa forma de navegação em alguns casos, como quando vou montar meu time no Cartola FC e não tenho problemas.
    Deve variar de dispositivo para dispositivo.
    certamente, as formas de se utilizar IOS E Android são diferentes.
    cada um opta para a que le trás mais segurança e logicamente, ao migrar entre uma e outra acaba nos sobrando duas opções:
    Ou nos adaptamos à forma de uso da outra plataforma, ou permanecemos na antiga.
    Ah. E o gesto de varrer do Android precisa ser um pouco mais suave que o do IOS.

    • André, obrigado pelos seus comentários, como sempre trazendo novos conhecimentos. Como você bem disse e eu também no meu artigo, algumas coisas são questão de preferência, ou adaptação. Alguns preferem abrir a aba de notificações, pressionar pause e depois descarregar o aplicativo da memória em aplicativos recentes. Eu, que ando sempre correndo, prefiro dar 2 clicks rápidos no botão iniciar e fechar o aplicativo. Quanto as inconsistências ainda tenho o aparelho aqui para quem quiser experimentar comigo.
      No mais achei ótimo toda essa experiência e farei ela novamente em outro momento. Além disso, faço questão de agradecer aqui de público por seu artigo, por suas dicas para que eu fizesse essa tentativa.

  • Daniel, obrigado pelo seu comentário, Entretanto, gostaria de considerar que: não se trata de dar socos na parede, ou de largar o vício, mas sim, do recurso disponibilizado funcionar bem, ou não. O talkback, conforme tutorial disponibiliza o recurso de varrer, portanto, o mesmo pode e deve ser usado e se não funciona adequadamente, o mesmo deve ser corrigido. Quanto a varrer no whatsapp e suspender o talkback, assim como outras tantas pequenas diferenças que eu notei e não comentei, como fiz questão de ressaltar no meu artigo, são apenas preferências que, cabe a cada um achar que é bom para si, ou não. O que não significa nenhum demérito para uma plataforma, nem para outra. Aliás, eu que sou afeito aos desafios, certamente voltarei a testar um celular androide em outro momento, bem como, computadores com linux, etc, etc. Recomendo que todos que tenham a oportunidade de testar uma plataforma diferente daquele que você tem mais familiaridade, o faça e repasse suas experiências. Isso só enriquece a quem testa, a quem desenvolve e para quem lê que pode aprender com isso.

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