PROGRAMANDO ÀS CEGAS: UTILIZANDO WINDOWS E LINUX JUNTOS PARA AUMENTAR SUA PRODUTIVIDADE PARTE II

Salve, galera!

Este é o segundo artigo de nossa série sobre como usar ambientes Windows e Linux juntos para uma maior produtividade em ambientes de desenvolvimento.

  • parte I – Introdução
  • parte II – Instalando a máquina virtual
  • parte III – Instalando o Arch Linux
  • Parte IV – integrando Linux e Windows

No artigo anterior, vimos como uma máquina virtual Linux rodando no Windows pode ser uma excelente solução para desenvolvedores deficientes visuais que não querem abrir mão do excelente suporte de acessibilidade oferecido pelo NVDA e, ao mesmo tempo, precisam da eficiência e isonomia que o ambiente Linux provê para o desenvolvimento de determinados tipos de projeto.

Neste artigo, veremos como configurar, de maneira simples, nossa máquina virtual. Antes disso, vamos bater um papo rápido sobre a maneira que este tutorial será apresentado.

Estilo do tutorial

Neste tutorial, além de explicar os comandos, também falarei sobre os porquês de os estarmos usando.

Meu objetivo aqui é, mais do que explicar como instalar o Linux, mostrar como analisar problemas e resolvê-los de forma estruturada e analítica.

Baixando os pacotes

VirtualBox

Faça aqui o download do Oracle VirtualBox. Certifique-se de baixar a versão 6.1 ou superior para Windows Hosts (máquinas físicas Windows), pois há algumas pequenas melhorias em termos de acessibilidade a partir desta versão.

Tarch

Com o VirtualBox baixado, precisamos agora obter a imagem iso (equivalente a um DVD físico) da distribuição Linux que queremos instalar.

Para tanto, acesse a página do Tarch .

Você verá que a única versão disponível na página de downloads é da versão 2020.02.24, e esta é listada como sendo uma versão experimental, pois há um bug afetando o funcionamento da leitura de palavras com o Speakup, e isso nós de maneira alguma queremos.

Se investigar os demais posts de versões anteriores, vai verificar que todos indicam a página de downloads, mas nenhuma das versões listadas aparece lá.

De fato, se você estiver entrando no mundo Linux, saiba que esta falta de compromisso com os usuários, principalmente os iniciantes, a ponto de indicar o download de uma versão estável que nem ao menos está disponível no lugar onde a documentação disse que deveria estar, é bem mais constante do que deveria ser.

Quando este artigo começou a ser escrito, as versões estáveis ainda estavam listadas. Hoje, é preciso investigar um pouco mais para tentar encontrar o link correto.

Por hora, não foi retirado do ar, e aqui é possível baixar a versão 2019.09.18. Se um dia for retirada do ar ou houver alguma nova versão, este link será atualizado.

Mas, Marlon, vamos ficar com um sistema desatualizado? Não, vamos atualizar depois da instalação.

Entretanto, antes de fazê-lo, vamos tirar um snapshot da máquina, o que nos dá uma excelente chance de restaurar a versão que funciona caso a atualização dê errado.

Se, por outro lado, usarmos já uma versão nova, não teremos como voltar para a versão antiga, e teremos que instalar tudo outra vez caso haja algo errado.

Instalando o VirtualBox

Execute o instalador do VirtualBox como administrador. Minha experiência diz que, caso isso não seja feito, componentes importantes podem deixar de ser instalados.

O correto processo de instalação do VirtualBox é imprescindível para que você não tenha surpresas desagradáveis quando estiver instalando as máquinas. Após executar o instalador (obrigatoriamente como administrador), clique sempre em next (próximo) para prosseguir com a instalação. Quando alguma pergunta, na janela do instalador, exigir um yes ou no (sim ou não) como resposta, escolha sempre yes (sim).

Em alguns casos, principalmente quando você está fazendo a instalação pela primeira vez, o processo irá parar no meio do caminho. A janela ficará aberta, mas a barra de progressos da instalação irá parar de andar.

Isso ocorre porque uma outra janela, perguntando sobre drivers não assinados, irá abrir. Você deve responder yes para esta janela, que pode ser focada com alt tab. Após responder yes, a instalação irá prosseguir novamente.

Criando a máquina virtual

com o VirtualBox instalado, é hora de criarmos nossa máquina virtual.

  1. Na janela principal, pressione ctrl + n para iniciar a criação da máquina.
  2. No diálogo que se abre, pressione shift + tab para selecionar o modo expert. Esta seleção habilita opções extras que iremos precisar para criar a máquina.
  3. Volte para o campo do nome da máquina. Escolha um nome e, se quiser, selecione uma pasta diferente da padrão para armazená-la. Eu, por definição, seleciono um diretório logo abaixo do meu drive c: para fazê-lo.

    Mas, Marlon, você não acha melhor salvar os arquivos no seu drive de dados em vez do drive de sistema?

    Sim, acho. Entretanto, na minha máquina, apenas o drive de sistema está com SD, sendo o drive de dados ainda mecânico.

    Normalmente, os arquivos, dentre os quais se encontra minha máquina virtual, devem sempre ser salvos no drive de dados, mas aqui acontece o seguinte: uma máquina virtual faz uso intensivo do disco, como qualquer máquina física.

    Assim, para mim, este pequeno desvio nas boas práticas significa ganho enorme de desempenho, algo que é essencial neste tipo de setup.

    Como vocês verão, este desvio não será o único.

  4. Se quiser mudar a máquina de pasta, pressione tab até a combo em que você ouvirá a pasta de instalação atual. Se tentar dar tab para acessar o botão procurar, você vai se decepcionar. Em vez disso, pressione alt + seta para baixo na combo e, na lista, aperte enter na opção outro.

    • 4.1. Agora sim, você está na lista de pastas. Selecione a pasta desejada.
    • 4.2. Após apertar enter em cima da pasta desejada, dê tab até o botão selecionar pasta.
    • 4.3. Você estará de volta na combo. Confirme que a pasta mudou para a que você escolheu.
  5. Tab até o tipo de sistema operacional. Selecione Linux.

  6. Tab até a lista de versões suportadas. Como instalaremos o Arch Linux, selecione Arch 64. Caso seu processador ou seu Windows não sejam de 64 bits, você não poderá seguir este tutorial.

  7. Tab até a quantidade de memória que a máquina deverá ter.

    Aqui, você precisará escolher com cuidado os valores que deseja. No geral, uma versão sem interface gráfica de Linux não gastará muita memória, mas processos de compilação e outros nos quais você esteja interessado poderão, eventualmente, consumí-la.

    Se você estiver, por exemplo, pretendendo rodar algum serviço em Java, talvez não seja aconselhável limitar demais a quantidade de memória da máquina.

    Por outro lago, alocar memória demais para a máquina virtual fará com que sua máquina Windows fique lenta, já que ela (a máquina Windows) disputará memória com a máquina virtual. Uma das piores coisas que pode acontecer é sua máquina host (a Windows) ficar lenta e usar paginação porque a máquina virtual está ocupando muita memória.

    No meu caso específico, a ideia seria rodar o Eclipse, famoso devorador de RAM, como editor no Windows e compilar e rodar os fontes na máquina Linux. Assim, dos 16 GB de RAM que tinha na máquina física, escolhi quatro GB para a máquina virtual.

    Poderia, entretanto, ter escolhido dois GB sem muitos prejuízos, caso minha máquina física tivesse, vamos dizer, 8 GB de RAM.

    O campo deslizante apresenta os valores em megabytes, de modo que selecionei 4096, equivalentes a 4 GB, no campo editável logo abaixo. o NVDA reconhece este campo como sendo um botão de rotação, mas é possível digitar valores.

  8. Tab até a opção de disco rígido e seta para baixo até “criar um disco rígido agora.

  9. Tab até criar e enter.

  10. No diálogo que se abre, observe que a localização do arquivo que representa o disco já estará sugerida para a pasta base onde você escolheu criar as suas máquinas virtuais, em uma subpasta equivalente a máquina sendo criada. Em minha opinião, isso é ótimo.

  11. Tab até o campo editável, logo após o campo deslizante, para configurar o tamanho do disco rígido. O padrão é 8 GB, e a configuração para seu caso segue a mesma conversa que tivemos no tópico da memória RAM. Como vamos instalar muitos pacotes de desenvolvimento, sugiro o mínimo de 20 GB. Se precisar mudar, é só digitar o tamanho e as medidas, seguindo o modelo escrito por padrão no campo.

  12. O tipo de arquivo, deixe como está.

  13. Tab até o tipo de armazenamento. Aqui, você vai precisar escolher entre duas estratégias: tamanho fixo ou dinamicamente alocado.

    No primeiro caso, todo o espaço do disco será alocado de uma vez, o que fará com que você fique com um arquivo equivalente ao tamanho do disco que você escolheu já criado, mesmo que a máquina virtual não tenha nada instalado.

    No segundo caso, você terá um arquivo que vai crescendo, até o limite equivalente ao tamanho do disco que você configurou. Assim, você só fica com o arquivo do tamanho máximo possível quando o disco da máquina virtual estiver cheio e, se precisar economizar espaço no seu disco físico, pode limpar coisas do disco da máquina virtual, já que o arquivo então diminuirá de tamanho.

    A opção dinâmica pode parecer a melhor alternativa, e em muitos casos realmente isto se aplica. Entretanto, ter um disco dinamicamente alocado implica em redução de desempenho na máquina virtual.

    Assim, se esta máquina for usada em cenários onde o desempenho precisa ser máximo, caso este de uma estação de trabalho, escolha se possível a opção tamanho fixo.

  14. Tab até criar e enter. A criação pode demorar algum tempo, principalmente se o disco for alocado com tamanho fixo.

Outras configurações da máquina virtual

No momento, temos o equivalente a uma máquina virtual criada, com HD vazia e nada instalado. Agora, precisaremos terminar a configuração.

Adicionar um Drive de DVD

Com a imagem baixada, vamos configurar um drive de DVD na máquina virtual, que usaremos para dar boot com a imagem do Arch Linux, igualzinho faríamos em uma máquina física.

Para tanto, na lista de máquinas criadas, na qual a nossa máquina agora está, vamos pressionar ctrl + s para acessarmos às suas configurações.

Antes de prosseguirmos, temos que falar sobre o diálogo de configurações de máquina virtual do VirtualBox.

Ele é composto de uma lista de categorias que, ao serem selecionadas, fazem com que as demais áreas da tela sejam atualizadas com diferentes opções.

A navegação entre essas opções é bastante instável, e talvez seja necessário sair e voltar para as configurações caso o NVDA se perca. Além disso, a lista de opções não é lida corretamente, de maneira que nem sempre estamos onde pensamos que estamos.

No geral, vale o seguinte:

  • se você estiver em uma situação onde o tab não funciona, use ctrl + tab.
  • Se mesmo assim não funcionar, pressione esc para sair das configurações.

Para navegar pela lista de opções, jamais acredite no que o NVDA te fala como opção selecionada. Em vez disso, alterne de janela e, ao voltar para o diálogo, pressione o comando tecla NVDA + tab. O item da lista falado é o selecionado.

  1. Selecione a segunda opção de cima para baixo na lista.
  2. Usando a técnica que apontamos acima, confirme que você está na opção sistema.
  3. Esta aba equivale à BIOS da sua máquina virtual. Aproveite, pois este é o melhor leitor de BIOS que você terá por um bom tempo.
  4. na aba Placa Mãe, confirme que o drive de disco óptico está habilitado para boot.

    Desabilite, por hora, todas as outras opções. Isso é necessário pois, do contrário, quando ligarmos a máquina pela primeira vez, o VirtualBox perguntará qual o drive que queremos selecionar para iniciar a máquina, e este diálogo é inacessível.

  5. Na aba processador, suba se possível o número de processadores para dois.

  6. Vá até a opção armazenamento na lista.

  7. Esta tela é extremamente confusa. Há um campo nome, depois uma combo tipo, depois uma caixa de verificação e, por fim, uma lista.

    Esta lista terá um anúncio muito verboso do NVDA, e se você pressionar a seta para baixo e depois para cima verá que a primeira opção é uma sata, que é um adaptador de disco rígido.

  8. Se apertar a seta para baixo outra vez, ouvirá que o adaptador ide está vazio.

  9. Pressione tab. Você vai passar pelo ok, pelo cancelar, pela lista de categoria e vai chegar outra vez no campo que contém o nome da controladora selecionada. Agora, entretanto, você vai ouvir que o ide secundário master está selecionado.

    Mas, Marlon, não era mais fácil voltar com shift tab? Claro, só que não funciona. O leitor de telas perde o foco e nada mais faz com que ele o ache novamente.

  10. Tab novamente e, no tipo, você ouvirá drive óptico.

  11. Pressione espaço e, no menu exibido, selecione escolher uma imagem.

  12. Sim, máquinas virtuais são legais. Escolha o arquivo iso do Tarch que você baixou e, agora, a sua máquina virtual pensa que tem um DVD físico enfiado em um drive dela que é, na verdade, um arquivo iso na sua máquina física.

  13. Tab até a caixa de verificação live CD / DVD. Garanta que ela esteja marcada.

  14. Continue caminhando com tab e você ouvirá os detalhes da imagem que, agora, será configurada como um drive de DVD.

  15. Se chegou até aqui, aperte espaço no ok para salvar as configurações.

Configuração de rede

Agora, precisamos configurar a rede. Como de costume, vamos explicar primeiro o que está acontecendo antes de explicarmos como configurar.

Por padrão, sua máquina virtual já vem configurada com um adaptador de rede. Para ela, este é apenas um adaptador de rede cabeada, que o VirtualBox gentilmente se encarrega de plugar na rede física normal.

Qual o problema aqui?

O problema é que o VirtualVox é o único intermediário entre a placa de rede da máquina virtual e a rede física. Isto significa que sua máquina virtual terá acesso a internet, mas no que diz respeito a ela, ela se encontra completamente isolada de tudo e de todos, inclusive de sua máquina física.

Configurações de rede no VirtualBox são complicadas.

De um lado,não queremos colocar nossa máquina virtual na rede, junto com as outras. Isto equivaleria a colocar uma máquina não autorizada na rede corporativa, que poderia causar problemas, precisaria de manutenção, se encaixar nas políticas de segurança, entre outros. Em resumo, seria como usar uma máquina Linux física, o que, como já vimos no artigo anterior, não seria viável.

Por outro lado, não adianta termos uma máquina Linux que não podemos acessar via Windows. Não conseguiríamos editar os arquivos, não conseguiríamos testar os serviços, em fim a máquina funcionaria, entretanto não teria utilidade prática. Então, o que fazer?

A solução é conectar uma segunda placa de rede na máquina. A primeira continuaria a acessar a internet mas, entretanto, não nos forneceria um endereço IP. Este tipo de esquema de rede no VirtualBox se chama NAT.

A segunda, seria configurada em um outro tipo de rede, chamada de host only. Neste tipo de configuração, uma conexão entre a máquina host (Windows) e a máquina virtual (Linux ) é criada. A Máquina Windows pode ver a máquina Linux, mas não há roteamento para a internet. Há uma rede privada entre as duas máquinas.

Assim, o melhor dos mundos se nos apresenta. De um lado, a máquina Linux se conecta na internet sem entretanto estar acessível na rede corporativa. Do outro, há uma rede privada entre ela e a máquina Windows, pela qual ela pode ser acessada e controlada.

Para configurar, execute os seguintes passos:

  1. Pressione novamente ctrl + s para acessar as configurações da máquina.
  2. Selecione rede na lista.
  3. Você perceberá que a primeira placa de rede (adaptador 1) já está conectada.
  4. Vá até a segunda placa de rede na próxima aba (adaptador 2) e a habilite marcando a caixa de verificação.
  5. Tab para selecionar o esquema de rede (alt + seta para baixo na combo) e selecione placa de rede exclusiva de hospedeiro (host only).
  6. Tab até ok.

No próximo artigo, instalaremos, em fim, o Linux em nossa máquina.

Artigos da série

  • parte I – Introdução
  • parte II – Instalando a máquina virtual
  • parte III – Instalando o Arch Linux

Programando às cegas: utilizando Windows e Linux juntos para aumentar sua produtividade parte III

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3 comentários

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