Migrando do JAWS para o NVDA – guia prático

Salve, galera!
Neste guia, pretendo descrever configurações e conceitos nem sempre tão óbvios que ajudam a fazer uma transição mais tranquila do JAWS para o NVDA como leitor de telas principal.

Eu e o JAWS

Antes de começar, porém, peço sua permissão para relatar o por que, em minha opinião, este assunto é relevante.
Sempre tive uma relação de extremo respeito com o JAWS for Windows. Este leitor de telas me acompanhou por mais de 15 anos, eu o uso desde a versão 3.7 para Windows 98 / Milenium edition e até agora, apenas tenho a agradecer aos seus programadores pois, através do seu trabalho, ganhei acesso a livros, internet, ferramentas de desenvolvimento e diversas outras aplicações.
De fato, estive acompanhado do JAWS todos os dias dos 16 anos em que estou no mercado de tecnologia da informação. Com o passar do tempo, me tornei um power user, nomenclatura usada para classificar aqueles que adquiriram um conhecimento profundo sobre praticamente todos os aspectos de um produto. Aprendi a configurar, traduzir, fazer scripts e, dentro de organizações que possuem muitos cegos contratados, me tornei (de maneira alguma como função principal) uma espécie de suporte técnico não oficial do leitor de telas, ajudando colegas a terem mais produtividade e conforto em suas atividades.
Afim de melhor explorar o potencial do JAWS, desenvolvi uma curiosidade que mais tarde se tornou robe pela área de tecnologia assistiva … evoluí, aprendi, conheci pessoas, em fim o JAWS sempre me deixou muito satisfeito.
E então, vocês perguntam, qual é o problema com o JAWS que te fez mudar de leitor de telas?
Nenhum, respondo. Continuo a ter uma licença do JAWS disponível e a usá-lo todos os dias, se bem que a minha é para uma versão de quatro anos atrás.
A pesar disso, como tenho dito em alguns dos episódios do podcast, a hora de mudar para mim chegou.

Eu e o NVDA

Em 2006, (ou 2005) estava lendo posts da lista (em inglês) programming blind que juntava os principais nomes internacionais de programadores com deficiência visual (e garotos como eu que só ficavam lendo as coisas também) quando um cara, também à época garoto, anunciou que tinha a intenção de construir um novo leitor de telas, gratuito e que ajudaria a deficientes visuais que não podiam pagar por uma licença cara de um produto comercial a ter acesso a informação.
Seu nome? Michael Curran. Nos disse que o leitor se chamaria NVDA (non visual desktop access) e que seria escrito em Python.
Apenas posso descrever a reação dos mais experientes da lista como dividida entre a descrença e o massacre completo de um lado e algum ânimo de outro. Diziam que não haveria dinheiro suficiente para que os desenvolvedores vivessem apenas deste produto, que construir um leitor de telas era uma atividade séria e trabalhosa, que eles iriam desencanar disso e correr atrás de viver a vida depois de um tempo, que companhias comerciais precisavam cobrar caro pelos leitores de tela pois a demanda de usuários era pequena, e uma série de outros argumentos. Quanto a mim, achei o nome horrível e a linguagem de programação escolhida ainda pior, visto que Python usa um aspecto visual, chamado indentação, para ajudar a representar contexto e que, sem uma linha braille, seria muito difícil acompanhar o desenvolvimento do código.
O tempo avançou e a versão 0.5 do leitor foi disponibilizada. Agora é a hora em que vocês esperam que eu comece a tecer elogios ao produto e a dizer o quanto eu e todos os outros cegos que criticamos o projeto estávamos errados … mas a verdade é bem diferente. Tecnologia não funciona assim e, conforme vamos ficando mais maduros, aprendemos a nos apegar a fatos mais do que a paixões ou experiências.
A verdade é que o NVDA 0.5 era, como quase todo software em versões 0.5 … péssimo. Ao menos se o compararmos ao JAWS 8.0 que estava sendo disponibilizado na época.
Mas é injusto fazer esta comparação, vocês podem dizer. A resposta a isto é a seguinte: empresas nos pagam por atividades que entregamos, pela nossa produtividade. Impossível trocar o JAWS, cheio de scripts, cheio de tutoriais, rápido e estável por um software lento, sem nenhum manual de instruções, instável e assustador.
Além disso, o JAWS nos permitia o uso do sintetizador eloquence com o qual estávamos acostumados e o NVDA nos impunha o uso de drivers que, para dizer o mínimo … deixavam-no ainda mais instável … ou o uso do sintetizador eSpeak que, na falta de algo melhor a ser dito, desesperava completamente boa parte dos seus usuários.
O tempo continuou a seguir e o NVDA continuou a evoluir. Foram criadas maneiras de financiar o desenvolvimento do produto, a NVAccess foi fundada, parcerias foram feitas com organizações de tecnologia e seguiram um caminho sustentável até os dias de hoje.
Seus desenvolvedores entenderam que não seria possível continuar a usar apenas Python e migraram partes específicas do produto para c++, perceberam que era necessário permitir a terceiros que desenvolvessem scripts e criaram a possibilidade de usarmos add-ons, e o leitor de telas foi se tornando cada vez mais uma opção viável para ser usado em alguns casos.
Desde 2013 eu mantinha uma cópia do NVDA para uso eventual, ou seja, quando e se o JAWS travasse.
Mesmo lendo sobre muitas vantagens do ´produto, principalmente no melhor suporte a padrões web como wai-aria, eu ainda relutava em usá-lo.
Entretanto, em 2016, minhas atribuições no trabalho começaram a exigir que eu usasse duas máquinas. Comprar uma segunda licença do JAWS estava fora de questão, então eu precisei usar o NVDA de maneira intensa, sem quase ter tempo para aprender as diferenças. Ao mesmo tempo, necessidades da pós graduação me deram o impulso que faltava para comprar um bom PC e eu comecei a usar mais intensamente o Windows 10, depois de dois anos e meio de afastamento da plataforma. Como é óbvio, comprar uma licença para o JAWS estava fora de questão, portanto o NVDA novamente brilhou sozinho na passarela do meu PC.
Abaixo, vou apresentar sugestões para quem quer ou precisa usar o NVDA como leitor de telas principal, algo que eu tenho feito com sucesso já há dois anos completos.

Falando de teclas

Antes de começarmos o guia, precisamos falar sobre layouts de teclado e teclas modificadoras.

Igual ao JAWS, o NVDA também apresenta dois layouts de teclado: um para desktop e outro para computadores portáteis, que não costumam ter o teclado numérico.
Precisamos falar, também, do conceito de tecla modificadora. Esta é a tecla que, mantida pressionada, fará o NVDA interpretar comandos específicos.
No JAWS, a tecla modificadora clássica é o insert. No NVDA, este também é o comportamento usado. Entretanto, recomendo que tanto a tecla insert quanto a tecla caps lock sejam configuradas como teclas modificadoras.
Isso porque, por exemplo, você pode facilmente usar o insert com a mão direita quando a outra tecla a ser pressionada estiver do lado esquerdo do teclado, como insert + t (para ouvir o título da janela atual) ou insert + f (anuncia a fonte em baixo do cursor do sistema) e usar o ccaps lock com a mão esquerda enquanto, com a direita, pressiona teclas no teclado numérico. Se o caps lock for configurado como tecla modificadora, você poderá mantê-lo pressionado igual faz com o insert. Para ativar a funcionalidade padrão da tecla, pressione-a duas vezes rapidamente.
Para decidir quais teclas modificadoras usar, pressione para acessar o menu do NVDA, seta para baixo até preferências e depois seta para direita para acessar o menu de preferências. Seta para baixo até opções de teclado.
Neste diálogo, selecione o layout que prefere usar na caixa combinada e, logo depois, marque as caixas de verificação usar o caps lock e usar insert extendido (se já não estiverem marcadas).
Para o layout de computadores portáteis, o uso da tecla caps lock é extremamente recomendado.
De agora em diante, quando nos referirmos a tecla NVDA, estaremos nos referindo a qualquer (ou quaisquer) da (s) tecla (s) que você configurou neste diálogo.
Antes de prosseguirmos, selecione o layout que você está usando. Se não souber qual ele é, configure no NVDA o layout equivalente ao tipo de computador que você está usando (computador de mesa ou portátil) e selecione o mesmo layout que você configurou abaixo.
Estou em um desktop com teclado numérico
Estou em um computador portátil sem teclado numérico

Não aguento essa voz!

O primeiro problema a ser resolvido é a questão do eSpeak. Há quem, como eu, tenha tentado se acostumar e falhado.
Também há os que decidiram nem tentar. Fato é que o NVDA com o eloquence, para mim e para muita gente, parece outro leitor de telas.
Para resolver esse problema, há algumas estratégias.
Falamos, neste episódio, sobre o complemento que a Code Factory disponibiliza com o bom e velho eloquence para o NVDA.
Apesar de custar cerca de r$ 230,10 (cotação aproximada) e não ter uma resposta tão perfeita, até que o complemento funciona. Certamente, é muito melhor que o eSpeak e muito, muito mais barato do que o JAWS. O complemento, além do Eloquence, disponibiliza as vozes Vocalizer e te permite usar tudo isso em até três computadores, então até que o preço compensa.
Se, por outro lado, você usa o Windows 10 e se acostumou com vozes humanas sintetizadas devido ao uso dos leitores de tela da Apple ou da Google, demonstramos, neste episódio do podcast, o uso das vozes padrão do Windows 10 chamadas de one core mobile voices. Essas se integram perfeitamente com o NVDA a partir da versão 2017.3 e são totalmente gratuitas para seu uso.

Onde está o JAWS Cursor?

Bem, a primeira olhada, não temos algo equivalente no NVDA. A falta que os cursores JAWS e invisível fazem no fluxo de navegação de muita gente pode ser um grande motivo para não trocar de leitor de tela, mas se este é o seu caso, vou contar umas coisinhas que você não vai descobrir facilmente por aí.

NVDA e os modos de exploração

O NVDA oferece, além da navegação com o cursor do sistema (equivalente portanto ao cursor PC), dois outros modos de navegação. Juntos, esses modos são tão poderosos quanto, ou possivelmente ainda mais poderosos, do que os cursores JAWS e invisível.

Cursor de revisão

O mais similar aos cursores JAWS e invisível é o cursor de revisão no NVDA.

Mas, ao contrário do JAWS que reutiliza as setas para todos os cursores, o NVDA te permite controlar todos eles ao mesmo tempo, ao menos com o layout para computadores de mesa ativado.
O teclado numérico é usado para controlar o cursor de revisão. A lógica é a seguinte:
Teclas da esquerda retrocedem e leem, teclas do meio leem, e teclas da direita avançam e leem.
Assim, o 7 (a esquerda) vai para a linha anterior e a lê, o 8 (tecla do meio) lê a linha atual, e o 9 (a direita) vai para a próxima linha e a lê.
O quatro vai para a palavra anterior e a lê, o 5 lê a palavra atual e o 6 vai para a próxima palavra e a lê.
O 1 vai para o caractere anterior e o lê, o 2 lê o caractere atual, e o 3 vai para o próximo caractere e o lê.

Note, entretanto, que diferente do que ocorre com o JAWS cursor, o mouse não está automaticamente atrelado ao cursor de revisão. Neste sentido, o cursor de revisão equivale mais ao cursor invisível do JAWS.
Por último, faltou dizer que o cursor de revisão tem três modos de restrição, similares ao que o JAWS disponibiliza com insert + r. Mas, no NVDA, esses modos de restrição têm mais representatividade.
Se você não estiver conseguindo chegar onde precisa com o cursor de revisão, experimente mudar o modo de restrição usando ou .
Esses comandos alternam, em ordem crescente ou decrescente, entre os modos de objeto, documento e tela.
O modo de objeto navegará apenas dentro do componente no qual você estiver focado com o objeto de navegação, conceito do qual falaremos em seguida. O modo de tela te permitirá navegar pela tela toda e o modo de documento, presente principalmente nos navegadores, te permitirá navegar dentro do documento em que o foco está no momento.
Experimente brincar um pouco com o cursor de revisão do NVDA e veja como você conseguirá resultados bem similares aos dos cursores JAWS e invisível na maioria dos aplicativos.

Cursor de navegação

O cursor de navegação é extremamente poderoso, porém mais difícil de entender.
Para tanto, você precisa compreender que, para o Windows, todas as janelas são classificadas em um formato hierárquico. Por exemplo, se você estiver no bloco de notas, o Windows considera que o campo editável onde você escreve o texto é um objeto.
Este objeto é filho, ou pertence, a um outro objeto, que é a janela principal do bloco de notas.
Além do campo editável, a janela do bloco de notas possui, no mesmo nível hierárquico, seis outros componentes:
A esquerda, estão o menu sistemas, botões minimizar,, maximizar e fechar, e a barra de menus. A direita, está uma barra de rolagens.
Alguns desses objetos, por sua vez, também tem filhos: a barra de menus, por exemplo, tem como filhos os menus arquivo, editar, formatar, exibir e ajuda.
A navegação por objetos (nome prático para o uso do cursor de objetos) te permite navegar por essa árvore de objetos e, assim, chegar de maneira eficiente a partes do sistema que talvez não sejam acessíveis com o teclado por exemplo.

Nesse modo, para o layout de computadores de mesa, usa-se tecla NVDA com as teclas 2, 4, 6 e 8 do teclado numérico.
Se você se atentar a esse formato, vai perceber que essas quatro teclas fazem o formato de setas para baixo, a esquerda, a direita e para cima de modo respectivo.

Pensando nisso, setas a esquerda e direita navegam por componentes do mesmo nível hierárquico, seta para baixo avança para o primeiro filho de um componente e seta para cima vai para o componente pai do objeto atual.
Usuários do VoiceOver para Mac OS deverão estar familiarizados com este conceito, pois esta é a principal forma de navegação usada neste leitor de telas. Podemos dizer que, na terminologia do VoiceOver, a seta para baixo interage com o componente atual, direita e esquerda navegam pelos componentes pertencentes ao objeto e seta para cima deixa de interagir com o objeto atual.

Fazendo um teste

Para testar rapidamente a navegação por objetos, abra o bloco de notas.

Pressione o comando para colocar o cursor de navegação no mesmo local do foco do sistema, que deverá estar no campo editável onde você pode escrever os textos.

Agora, se você pressionar , vai chegar a barra de menus. Se pressionar , vai chegar ao menu arquivo, primeiro filho da barra de menus. Andando com e , vai navegar entre os menus. Se pressionar voltará a janela principal do bloco de notas. Neste nível, se pressionar , vai chegar novamente ao campo editável onde você escreve textos.

vai ativar o objeto de navegação

Relação entre o cursor de revisão e o cursor de navegação

Os cursores de revisão e de navegação no NVDA trabalham muito próximos um do outro. Tão próximos a ponto de, quando o cursor de revisão (equivalente ao cursor JAWS) se mover, o cursor de navegação o acompanhar. Evidentemente, a recíproca também acontece, de modo que quando o cursor de navegação se movimentar pela árvore de objetos, a posição do cursor de revisão será atualizada para apontar para o objeto atual automaticamente.

Roteando cursores

Vamos revisar o que temos até agora:
1- cursor do sistema ou o equivalente ao pc cursor para o JAWS.
2- Cursor de revisão, o equivalente ao cursor JAWS ou cursor invisível.
3- Cursor de navegação, sem equivalência imediata..
4- Cursor do mouse
Para mover o cursor do sistema, ou foco, para o cursor de revisão / navegação (lembre-se que os dois andam sempre juntos), use o comando . Esse seria o equivalente a mover pc cursor para cursor JAWS ou cursor invisível.
Caso o foco do sistema tenha um cursor, por exemplo caso o objeto em foco seja um campo editável, pressionar duas vezes colocará o cursor do objeto em foco alinhado exatamente ao cursor de revisão.
Para fazer o oposto, ou seja, colocar os cursores de revisão e navegação exatamente onde o foco do sistema está (equivalente a mover cursor JAWS ou cursor invisível para o cursor PC) o comando a ser executado é .

E a quantas fica o mouse?

Para mover o mouse para onde os cursores de revisão e de navegação estão, usa-se o comando .
Para mover os cursores de navegação e revisão para onde o mouse está, usa-se o comando .
Os cliques esquerdo e direito são realizados ou pelo próprio mouse ou pelos comandos e respectivamente. Para travar os botões do mouse (e depois soltá-los) acrescentamos aos comandos responsáveis pelos cliques.
Ainda falando do mouse, o NVDA te permite ouvir por onde o mouse está passando caso o rastreamento de mouse esteja habilitado. O comando pode ser usado para habilitar ou desabilitar este recurso.

E o Touch Cursor?

Este é um cursor mais recente do JAWS usado para navegar, principalmente, em aplicativos distribuídos pela Windows Store a partir do Windows 8 e com alguma proeminência maior no Windows 10.

No NVDA, as funcionalidades do cursor de navegação e do foco do sistema suprem adequadamente o que o Touch Cursor faz no JAWS.

E as telas touch?

O nível de acesso a estas é, também, bastante compatível entre os dois leitores de tela. Entretanto, ao menos em terras tupiniquins, o uso de dispositivos com tela touch e rodando Windows ainda é bastante impopular. Se houver a necessidade de falar sobre isso, solicitem que faremos um guia anexo para abordar este assunto.

Em resumo

Pode parecer assustador, mas uma vez que entenda a equivalência do cursor de revisão com o cursor do JAWS ou o cursor invisível, você terá o conforto de um dos recursos mais poderosos que o JAWS disponibiliza em suas mãos também no NVDA.
Quando aprender a navegar por objetos, este poder aumentará ainda mais. Vi possibilidades que a navegação por objetos me proporcionou que dificilmente seriam viáveis com o JAWS, ao menos não sem usar o home-row mode, que é algo extremamente avançado e definitivamente fora de questão para usuários comuns. Com um pouco de prática e tendo todos esses recursos a sua disposição, sua qualidade de navegação com o NVDA aumentará muito.
Por fim, aprender a usar o ponteiro do mouse corretamente para se movimentar e fazer cliques vai te ajudar a ser ainda mais eficiente. Boa navegação!

Linha 1, coluna 2 … linha 3, coluna 5 … dá para parar com isso?

A próxima grande diferença entre NVDA e JAWS é que o NVDA atasana todo mundo que tenta acessar a internet falando linhas e colunas de tabela. Isso irrita mais do que vale a pena expressar aqui, entretanto a boa notícia é que podemos desligar esse comportamento “meio mimado” do leitor.
Para falar a verdade, o único tipo de aplicação onde vale a pena ouvir as linhas e colunas a cada movimento são os processadores de planilhas eletrônicas, tais como o Excel e similares.
Assim, vamos desligar esse tipo de anúncio para todos os aplicativos menos o Excel, e aproveitar para entender outro recurso desconhecido de grande parte dos usuários do NVDA, que são os perfis específicos por grupos de aplicativos.

Opções de formatação de documento

No menu do NVDA () selecione preferências com a seta para baixo e pressione seta para a direita para acessar o menu de preferências.
Seta para baixo até formatação de documentos e enter para ativar o diálogo. Tab até coordenadas de células e espaço para desmarcar a caixa de verificação e, assim, desativar o anúncio chato para a maioria das aplicações. Tab até ok e pronto!

Perfis de configuração

Abra agora o Excel, e ande com as setas. Socorro, você não ouvirá nenhuma coordenada! Isso obviamente não é o que queremos.
Queremos nos livrar das coordenadas de células em tudo, menos no Excel.
Mas se voltarmos a marcar a caixa de verificação que acabamos de desmarcar, teremos o comportamento chato de volta, porque o NVDA não tem algo parecido com as configurações separadas por aplicativos que o JAWS disponibiliza, certo? Errado!
Para criarmos configurações específicas para o Excel, acessamos o gestor de perfis com o comando .
Ao usar este comando, você vai cair na lista de perfis existentes. Vai haver apenas o perfil chamado “configurações normais”, e o NVDA vai te avisar que este é o perfil ativo, colocando um “editando” após o nome do perfil. Como você quer criar um novo perfil, acione o botão “novo!”.
Na tela que se abre, você vai poder digitar um nome para o perfil e, ao pressionar tab, terá a chance de dizer quando ele será usado. Selecione a opção “aplicativo atual (Excel) e depois tab até ok e enter. Tab até fechar nesta tela e enter, e pronto.
A partir de agora, todas as opções que você alterar no NVDA enquanto estiver focado no Excel serão salvas em um perfil dedicado para este programa. Volte ao menu preferências e nas opções de formatação de documentos marque a caixa de verificação para coordenada de tabelas, e agora apenas no perfil relacionado ao Excel você vai ouvir essas informações.
Acesse o menu do NVDA e selecione “salvar configuração” para garantir que as alterações no perfil relacionado ao Excel foram salvas.

E os links? Todos na mesma linha? Não quero isso!

Essa é outra diferença que chateia bastante novos usuários do NVDA. Mas, igual a um monte de coisas, podemos tornar a experiência de navegação bem mais próxima ao que estamos acostumados com o JAWS. Para tanto, acesse o menu do NVDA com e use a seta para baixo para selecionar preferências. Seta para a direita para acessar os menus de preferências e seta para baixo até modo de navegação. Desmarque a caixa de verificação “usar apresentação da tela (quando suportado)” e acione “ok” para fechar este diálogo. Pronto, os links voltarão a ocupar uma nova linha e outros aspectos da navegação web serão bem mais parecidos com o que você está acostumado.

Por que o insert page down não funciona para ler a barra de status?

Porque o comando para tanto é .

Cadê o cursor virtual?

Novamente, em uma primeira olhada este recurso não existe. Mas, acredite, algo muito similar vai te ajudar na sua nova experiência com o NVDA.
Em navegadores, no Adobe Reader e em alguns outros programas, o NVDA disponibiliza um modo alternativo de acessar conteúdo chamado “modo de navegação” (não confunda com o cursor de navegação que faz a navegação por objetos). Para referência, o modo normal de interação é chamado modo de foco. E se você pensou que o modo de navegação é equivalente ao cursor virtual e que o modo de foco é equivalente ao modo formulário no JAWS, enton mínhach parrabénch! Focê echtá corrêta!
De fato, quase todas as características do cursor virtual, incluindo a habilidade de avançar e retroceder por múltiplos elementos através da digitação de letras no teclado, estão disponíveis. Ironicamente, porém, a maior diferença é que o NVDA não anuncia modo formulário ligado e cursor virtual ao entrarmos e sairmos do modo formulário respectivamente. Em vez disso, o leitor de telas toca um som parecido com uma tecla de máquina de datilografia ou com tac quando você entra no modo de foco, equivalente ao modo formulário no JAWS, e toca um tom de som parecido com “tum” quando você retorna para o modo de navegação, que equivale ao cursor virtual.
A maneira de alternar entre os dois modos também muda: enquanto no JAWS pressionávamos enter e esc, no NVDA é mais seguro sempre usar o comando para fazer a mesma coisa, com o enter e o esc podendo funcionar também em algumas vezes.

Por que o control f não funciona?

Porque o comando equivalente para o NVDA é . Demorei para descobrir isto e depois que descobri, acredite, navegar na internet ficou bem mais eficiente. Para localizar próximas ocorrências do texto atual, em vez de f3 como no JAWS vai funcionar. Acrescente o shift no comando e a procura será pelas ocorrências anteriores.

A lista de cabeçalhos sumiu!

Sumiu não, se tornou mais eficiente. No NVDA, o comando é responsável por listar links, cabeçalhos e marcas tudo no mesmo diálogo. Pressionando este comando você irá parar na lista de links. Nesta tela, alt + q te joga na lista de links, alt + h na lista de cabeçalhos e alt + m na lista de marcas.
Enter ativa o elemento caso seja clicável e coloca o foco do modo de navegação, equivalente ao cursor virtual do JAWS, no local escolhido caso contrário.
O comando só funcionará, entretanto, se o modo de navegação estiver ativo.
Explore este diálogo de opções e tenha uma excelente ** e ultra eficiente ** navegação!

Como alterno a fala entre letras, palavras, ambas e nenhuma?

O comando insert + 2 do JAWS tem dois comandos equivalentes no NVDA: liga ou desliga o eco de caracteres e liga ou desliga o eco de palavras.

Como faço para mandar a (s) próxima (s) teclas para o aplicativo sem processamento no leitor de telas?

Use o comando para fazer com que o próximo comando não seja processado pelo leitor.

Como faço para desabilitar o NVDA temporariamente apenas para um aplicativo?

Use o comando para ligar e desligar o NVDA em um determinado aplicativo.

O NVDA não tem o comando insert + f11 que lista todos os ícones da barra de status!

Bem, isso é mais ou menos verdade. Apesar de o leitor de telas não ter esta funcionalidade, chegou a hora de falarmos mais detalhadamente sobre add-ons, pois existe um que faz exatamente a mesma coisa.

O que são add-ons

Entenda add-ons como scripts, similares aos scripts para o JAWS. Só que, ao contrário desses, você não precisa descompactar nenhum arquivo e depois copiar quatro, cinco, sei lá eu quantos arquivos com extensões estranhas para alguma pasta obscura do leitor de telas.
Add-ons, do ponto de vista de quem os usa, são apenas arquivos com extensão .nvda-addon. Você aperta enter em cima deles no Windows Explorer, o NVDA te pergunta se você confirma a instalação, o leitor de telas reinicia e pronto, o add-on está instalado.
Da mesma maneira que scripts do JAWS são poderosos, add-ons do NVDA também o são. Eles podem te ajudar a ser mais eficiente e produtivo ou roubar seus dados e colocar seu computador em risco. Uma boa maneira de ficar protegido é apenas instalar add-ons do repositório oficial da comunidade de desenvolvedores de add-ons do NVDA, outra facilidade que o JAWS não disponibiliza. Os add-ons listados no site oficial da comunidade de desenvolvedores são revisados e há uma maior garantia de que não contenham código malicioso ou tentem roubar informações.
O NVDA disponibiliza um gerenciador de complementos, acessível através do menu do NVDA em ferramentas. Você pode, inclusive, desativar temporariamente ou permanentemente add-ons se preferir.
Especificamente para o recurso de listagem de ícones da barra de status, existe um complemento chamado lista da área de notificações. Este add-on disponibiliza o comando para listar os ícones da barra de status e este mesmo comando, se for pressionado duas vezes seguidas, irá listar todas as janelas abertas, o que equivale ao comando insert + f10 do JAWS for Windows.

Como posso virtualizar janelas?

Há outro complemento, chamado exploração virtual que permite, ao utilizarmos o comando , visualizarmos o texto da janela atual em um buffer.

Quais outros add-ons estão disponíveis?

Uma série deles. Só conferir a lista no site oficial de desenvolvedores de add-ons da comunidade e se divertir. Os dois listados acima são essenciais, em minha opinião. Se estiver usando o Windows 10, também vale a pena instalar o Windows 10 app essentials.

Links úteis

Existem uma série de documentos e manuais disponíveis para quem deseja aprender mais sobre o NVDA. Em primeiro lugar, no menu ajuda do próprio leitor de telas ( e seta para baixo até ajuda) é possível acessar o guia do usuário e a referência rápida de comandos, ambos em português.

Embora esses documentos sejam muito bons e relativamente completos, os mesmos não fazem equivalências com o JAWS, e esta é uma das razões pelas quais resolvemos escrever este guia.

Existe um excelente episódio do podcast BlackScreen (em português) onde os apresentadores falam bastante sobre Windows 10 e também demonstram alguns dos add-ons dispon´níveis para o NVDA.

O blog o Ampliador de ideias tem, em português, este e este bons artigos sobre complementos para o NVDA.
Por fim, aqui está um guia de migração do JAWS para o NVDA (em inglês), que é bem diferente deste que aqui está escrito mas que vale a leitura, caso haja mais interesse sobre o assunto.

Conclusão

Se me perguntarem se eu recomendo o NVDA para uso diário, minha resposta vai ser sim, mesmo para usos corporativos. E a resposta será positiva não por que o NVDA é gratuito e nem tão pouco porque é feito por cegos. Esses são motivos legais, mas não me fariam recomendar o uso de nenhum leitor de telas, principalmente em corporações. Eu recomendo o uso do NVDA porque, principalmente nos últimos anos, este leitor de telas está realmente bom e permitindo que sejamos eficientes em uma série de situações e de casos de uso.
Claro que nem todas as possibilidades estão cobertas aqui. Pode haver, por exemplo, scripts que permitam que determinadas aplicações específicas em uso em uma corporação sejam acessíveis com o JAWS. Se os mesmos scripts não forem “traduzidos” para add-ons, evidentemente o uso dessas aplicações ficará prejudicado com o NVDA. Mesmo assim, para a grande maioria dos casos, já é possível com bastante segurança usar este leitor de telas. Na dúvida, tente: o NVDA é gratuito e você não perde nada se não funcionar, mas pode economizar muito caso funcione.
Para pessoas que, como eu, estão muito acostumadas com o JAWS , espero que este guia ajude na transição. Este é um documento vivo e que pode ser corrigido e complementado caso haja falhas ou oportunidades de melhorá-lo. Assim, se tiver correções ou sugestões para este documento, nos avise que o corrigiremos ou complementaremos tão logo quanto for possível.
Se você já usa ou começou a usar o NVDA agora, considere doar algum dinheiro para manter o projeto. Muita gente doando um pouquinho de dinheiro garamte o desenvolvimento do leitor pelos próximos anos.

Atualizações

15/11/2017

Criada opção para atualizar dinamicamente os comandos no guia de acordo com o layout de teclado usado.
Adição de comando para leitura de barra de status.
Complemento da conclusão,
Correções menores.

05/11/2017

Adição de seção falando sobre teclas modificadoras.
Padronização do nome de teclas modificadoras para tecla NVDA no guia.
Adição de seção sobre touch cursor
Adição de seção sobre lista de links e cabeçalhos.
Correções menores.

27/10/2017

Adicionados links para O ampliador de Ideias na sessão de links úteis.
Francisco Carlos Alves Batista nos avisa que o comando para desabilitar o NVDA para determinadas aplicações é shift + insert + s em vez de shift + insert + z.

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Para mais detalhes, consulte a página de direitos autorais do portal.
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